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É bem triste quando morre o escritor preferido da gente, principalmente quando o segundo e o terceiro escritores  que mais se gosta também já estão mortos há um tempão.

Não é que eu tenha chorado nem nada assim, é mais uma chateação mesmo, por saber que aquele sujeito nunca mais vai escrever nem mais uma linha.

 

No caso do meu escritor predileto, que morreu hoje, ela já não publicava nadinha há bastante tempo mas, mesmo assim dava um certo conforto saber que ele estava por aqui, vai que o cara resolve publicar de uma hora pra outra.

 

Morreu hoje o Salinger, meu autor predileto que vivia recluso em sua casa no alto da colina em Cornish, nos Estados Unidos e não dava entrevistas, não se deixava fotografar e não publicava livro nenhum desde 65. É quase como se os meus três escritores preferidos tivessem morrido antes de eu nascer ...

 

Deus conserve a mim e os meus olhos pra que quando e se, os filhos do eremita resolverem publicar os escritos que certamente o velho deixou metidos em alguma gaveta, eu possa me deliciar de novo.

 

Salinger continua em paz, só mudou de colina.



Escrito por Rui Minharro às 20h24
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Nóssinhora como eu to longe !

 

Foi todo mundo embora pra praia pular onda, pegar engarrafamento, ver fogos de artifício e esbarrar na multidão debaixo da chuva ... os que ficaram na cidade foram ouvir música popular e esbarrar na multidão aqui no asfalto mesmo.

 

Fiquei no palácio, na torre, bastante longe da algazarra mas a Sabah se incomoda um bocado com esses barulhos que parecem uma guerra civil no Ducado vizinho ao nosso, é bomba que não termina mais, eu não ligo mas a Sabah fica inquieta.

 

Eu juro que eu não estou ficando um velho ranzinza, eu juro que já sou velho e ranzinza há pelo menos uns vinte anos, juro. É que antes eu xingava essa classe média desesperada por uma nesga de prazer, pra fazer o que todo mundo faz e a qualquer preço, agora não, fico só com uma certa peninha.

 

Não me convide porque eu não vou querer dizer que passei a “virada” na praia, acho cafona, na Paulista então nem se fala, me ofende.

 

Paramentei-me como deve um Duque e desci para a sala de jantar às 20:30 onde preparei um Dry Martini e servi caviar de mujjol como antepasto da ceia.

Às 21:30 jantamos um delicioso peito de peru acompanhado de arroz ao funghi e purê de maçãs, não esbarrei em ninguém mas tive que pular umas dezessete vezes sobre a Sabah que adora deitar na passagem da gente (tomara que também de sorte).

 

Recolhi-me ao escritório e aqui estou, esperando o sono vir me buscar e levar meu esqueleto pra sonhar com 2010.

 

Tomara que amanhã  faça bastante Sol na praia senão o que é que vai ser desse povo, coitadinhos, isso que eu acho uma tristeza é tudo o que eles tem pra chamar de felicidade.



Escrito por Rui Minharro às 00h22
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Assisti há uns dias atrás um pobre repórter da Tv Globo se debulhando em elogios sobre uma árvore de natal feita com garrafas plásticas, o âncora do jornaleco exaltava a iniciativa ecológica (sic) mas imagino que ele não tenha notado que a árvore tinha milhares de lâmpadas acesas e obviamente também esqueceu-se de ponderar o que seria feito das garrafas depois das festas porque, se afinal se não forem para a reciclagem não havia outro porque daquela matéria senão o de mostrar aquele verdadeiro monumento ao mau gosto todinho aceso.

Eu fico com a impressão que a televisão me acha idiota.

Mas tranqüilizem-nos, gente medíocre não é prerrogativa do Brasil, há por todos os cantos. Acabo de saber que um bando de poloneses desocupados vai enterrar novamente os restos mortais do Nicolau Copérnico num magnífico mausoléu.

 

- Mas pra é que desenterraram ?

- Pra fazer exame de DNA

- E pra que ?

- ...

 

Meu Deus, o cara morreu em 1543 e tem gente que ainda se preocupa com os ossos do sujeito ...

 

Será que não tinham nada mais útil pra fazer ?

 

Porque é que não montaram um linda árvore de natal ? !



Escrito por Rui Minharro às 19h16
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Foi-se aos vinte e sete dias de novembro deste ano de 2009  o penúltimo monarca da Casa Alves de Barra Funda.

 

Nem deixou que soassem as Reais trombetas e não comunicou nem nobres nem vassalos nem plebeus, apenas partiu num trote desabalado no lombo do dileto e real corcel tricolor.

 

A Casa Alves, consternada, comunica que a cerimônia em memória do Rei será celebrada segundo o protocolo Dionisíaco e conforme desejo do imperador, na fidalguíssima Ouro Branco que tantas vezes serviu o nobre e seu séquito em celebrações de toda ordem.

 

Fica portanto instituído o início das homenagens ao o cair da noite do décimo primeiro dia do mês de dezembro do ano de 2009 sem horário pré determinado para o encerramento dos festejos.

 

A Casa Alves convoca fidalgos, aristocratas, artesão, comerciantes e a todos os súditos do Régio Bufão para brindarmos em sua memória.

 

Rui M.Alves

Príncipe Herdeiro do Trono de Barra Funda



Escrito por Rui Minharro às 21h53
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E porque eu ando numa correria de fazer dó a qualquer maldito paulistano e, porque eu não atualizo com tanta freqüência esse meu Bloguezinho neurótico e, porque o meu livro nada burocrático não está pronto e, porque nem tudo o que reluz é ouro, a moça me escreveu :

“Acho q vc está precisando mudar algo em sua vida, as energias ao seu redor estão estagnadas... “

 

Será alguma mensagem cifrada ?

Que energias à minha volta estariam estagnadas ?

Seriam boas ou más as energias estacionadas no meu entorno ?

São minhas as energias ao redor ou ela fala de todo um universo imensurável que me cerca ?

 

Mudar algo em minha vida ... filosofia pura !

 

Algo - Pronome indefinido

alguma coisa indeterminada; qualquer coisa.

 

Gosto tanto da minha vida, poxa ! ... Justo agora ?

 

Francamente me aborrecem um bocado essas boas intenções ... !

 

Acho que as pessoas falam por falar, escrevem por escrever, só querem participar de alguma forma, sei lá, se sentirem importantes ... acho que é isso ... só pode ser.

 

Agora vou por minhas energias pra dormir pra evitar que se corrompam caso encontrem energias vagabundas por aí.

Vou precisar delas novamente amanhã.

 

 



Escrito por Rui Minharro às 22h24
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Outro dia, no boteco, um sujeito veio reclamar da minha longeva solteirice, o cara é bacana, tem duas ex-esposas, dois lindos filhos adolescentes, um bom emprego e divide o aluguel de um apartamento super bonitinho com um colega de trabalho. Estava feliz da vida, quase eufórico porque a namorada levou-lhe o carro pra ver a avó no hospital do Mandaqui.

Um “pinto no lixo” com a alforria numa sexta-feira.

Bebia grandes goles de cerveja e tentava participar de todas as conversas simultâneas da mesa.

 

- Porra ! você precisa arrumar uma mulher, casar, ter seus filhos, você já ta com quantos anos mesmo ? ... 40 ?

- 41

- Caralho ! então Ruizinho ...

- Estou bem sozinho, vez por outra eu até que dou uma namoradinha por aí.

- Mas é bom ter alguém ... blá blá blá

- É que tem muita cerveja em casa, alguns livros dos quais eu gosto um bocado, acho que nem cabe uma namorada por ali, além do mais eu não vou ao cinema, detesto balada, não sei dançar, conheço nada de música e saio quase nunca de casa.

- Mas e filhos ? você não vai deixar herdeiros ? (e deu uma bela gargalhada)

- Já tem gente demais no mundo, não precisam de um filho meu ...

- E o teu time hein ? ! ... blá blá blá

 

No fim dei uma carona pra ele, coitado, a namorada já tinha ligado umas dez vezes dizendo que ele estava bêbado, pra nem pensar em ir pra casa dela e que amanhã era dia dele ver os filhos e ela ficava sempre em segundo plano e que ia deixar o carro pra ele em frente ao “apartamento super bonitinho” amanhã bem cedo e que ia ter que voltar de ônibus porque ele estava bêbado e tudo mais e que ele só pensa em farra e que esses seus amigos ... blá blá blá ... e que ele estava bêbado !

 

Eu também estava mas ... só fui dormir.



Escrito por Rui Minharro às 22h35
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Outro dia eu vi uns cabelos lindos passando pela rua ... UAU !

Não tinham tinta e nem cachos mas tinham umas ondas ... uns maremotos quase azuis de tão pretos.

Vinham por cima duma moça que ... UFA !

Maçãs maduras, amoras nos lábios e os olhos azuis ... como os cabelos.

Um narizinho bonito, perfeitinho como o meu.

Magrinha, quase esquálida e uns peitinhos ousados ... dois perfeitinhos acompanhando o passo.

Tudo muito simples, sem franjas, poucos bolsos, sem salto ... EBA !

Ela vinha pela calçada da Rua Mauá, a Torre do Relógio atrás ... eu ia, pela calçada da Rua Mauá ... nem vi que horas eram.

Muito perto ela quase sorriu ... e passou

Era tanta luz nas ondas dos cabelos pretos e era tanto brilho no negrume dos olhos que achei mesmo que ela tivesse sorrido pra mim e ... ceguei.

Cruzou e foi ... lá pra Duque de Caxias.

Chamei de Ônix.

Cruzei e fui ... pra Torre do Relógio.

Me chamei de Fênix.

Que há muito tempo não tinha taquicardias ... UAU !



Escrito por Rui Minharro às 21h59
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Levantei bem cedo, antes até de ouvir os sinos do colégio das freiras, meti aquela calça azul surrada, calcei os tênis de todos os dias e tomamos o passeio, eu e a Sabah, num passo manso, sem direção. Caminhamos e metemos a fuça em todos os cantos aqui nos arredores do palacete, o ponto do ônibus, a Banca de Jornais, o muro atrás do colégio e finalmente a padaria antes de voltarmos pela Chácara do Carvalho onde um sujeito sempre deixa o portão do jardim aberto pra Sabah entrar e dar umas corridinhas felizes, mais duas quadras e passamos por dentro do posto de gasolina pra cortar o caminho só por cortar ... sem pressa. Voltamos ao lar do Arquiduque de Barra Funda.

Liguei o grill pra esquentar um sanduíche de queijo, tirei o abacate batido com leite da geladeira e montei um serviço americano para o desjejum. A Sabah só bebeu água e deitou bem no meio da cozinha pra me observar. Abri o jornal e corri um olho pelas manchetes, o outro deixei cuidando da Sabah que agora estava observando o meu sanduíche de queijo ... quase pronto.

Comi, bebi, li a última patacoada do Lula (todo dia tem uma nova) e fui fazer, lentamente, a minha toalete. Como eu tinha carregado o jornal comigo perdi mais tempo que o habitual e li as tirinhas, o editorial e algumas outras bobagens de jornal. Tomei banho e fiz a barba como se fosse casar e escovei cirurgicamente os 32 dentes. Cuequinha e meias brancas, o tênis de todos os dias, caça jeans e qualquer camiseta sem desenho.

Peguei a correspondência eletrônica, liguei a máquina de café, telefonei pra Ruth, tomei um café e chorei baixinho por uns dez minutos sem parar mas, com vontade de chorar bem alto. Matutei sobre outra bobagem qualquer que também já não me lembro mais e ... tive um dia parecido com quase todos os outros dias que raramente se parecem uns com os outros.

Preparei um Dry Martini, a Ruth bebeu um golinho, a Sabah ficou olhando, liguei a TV, outra patacoada do Lula, escrevi no Blog e vou deitar.

 

Amanhã já começo a completar os 42 anos.



Escrito por Rui Minharro às 21h40
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Estava pensando nos litros e litros de asneiras que as pessoas vertem no meu ouvido esquerdo, nas toneladas de idiotices que escrevem por aí e, o meu pensamento foi escorregando até cair no Show de Horrores da Tv Globo, esse que eles dizem confinar um punhado de gente estúpida numa casa.

Nunca consegui ver um episódio completo.

Vez por outra esbarro com uma chamada se estou mudando os canais, corro os olhos por alguma manchete que os jornalecos destacam como importante ou ouço qualquer par de imbecís tecendo comentários imbecís sobre os imbecís.

 

Resolvi chamar aquilo de “Jardim do Lácio” ... Perfeito !

 

Incultos na bela moldura.

 

Depois cansei de pensar nessa gente que me cansa e, que George Orwell descanse em paz.

 

Estava pensando nos litros e litros de asneiras que as pessoas vertem no meu ouvido esquerdo, nas toneladas de idiotices que escrevem por aí e o meu pensamento foi escorregando até eu lembrar aquela frase de pára-choque (como ficou na nova ortografia  ?) de caminhão :

“Vida Longa aos meus inimigos para que aplaudam de pé a minha vitória”

 

Coisa horrível, frase típica de cristão que adora sofrer !

 

Já é tão difícil fazer as coisas sem ninguém pra atrapalhar e ainda querem me convencer que é bacana ter um filho-da-puta aplaudindo no final ... quem me garante que o inimigo vai aplaudir ? Se é inimigo vai acabar vaiando.

Eu quero por perto só os amigos, que nem são muitos, não tem essa de exibicionismos vingativos ... to fora !

 

Reescrevendo:

 

 

Vida breve aos meus inimigos para que os amigos aplaudam as minhas vitórias.

 

WWW.NOITENOIR.COM.BR



Escrito por Rui Minharro às 22h08
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Está no Ar o site do Noite Noir:

www.noitenoir.com.br



Escrito por Rui Minharro às 10h45
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Tem sido como beber de um veneno que ressuscita esses malditos estudos sobre o Nietzsche às segundas-feiras. Fico meio aéreo, meditabundo, com as pupilas inquietas, fico balbuciando quaisquer coisas pro chão ... não sei ... não sei.

Ando feliz e sem sorrisos de escarafunchar as vísceras do velho Bigode e a minha pobre cabecinha só pensa agora em coisas absolutamente desimportantes como Vontade de Potência, ética, criatividades, virtudes e singularidades.

OK, o norte agora está mais a oeste ou um tanto mais pro sul, não é relevante. Os estudos vão até a final do inverno e o desconfortável apartamento no 26º andar do edifício Copan vai continuar me deixando assim confuso, assim ... satisfeito ... assim-assado.

 

Mas confesso que sinto saudades imensas de segurar uma Cecília Meireles na minha cadeira de leituras. O alemão bigodudo pesa um bocado ... !



Escrito por Rui Minharro às 00h03
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Muito bem, é Carnaval !

 

A classe média burocrática está na praia se convencendo que é divertido a valer levar vida de paulistano ao nível do mar.

Outro povo, classe média, média mesmo, juntou os trocados e foi pros sambódromos assistir o mesmo filme sete vezes seguidas sentado no cimento e acreditando que aquilo sim é diversão.

Nos mesmos sambódromos está também a classe média inculta e bela, que se amontoa nos camarotes tentando acompanhar a evolução dos Mestre-Repórter e dos Porta-Câmera pra ver se aparece em qualquer folhetim ou se descola uns dois segundos na televisão nem que seja só passando atrás de um entrevistado sem nada a declarar. O desfile mesmo ninguém vê do camarote, não interessa.

Estivemos gravando no Camarote da Brahma e é assim mesmo que é ... mulata ali só limpando as porcarias que as “beldades” jogam no chão ou no palco dos showzinhos entre uma escola e outra.

Eu até gosto de carnaval, acho bonito e tudo, só lamento que nunca mais tenham feito sambas ... são todos iguaiszinhos desde 1991. A impressão que me dá é que a Liga das Escolas determinou as 10 palavras que as agremiações devem repetir exaustivamente nos seus sambas. A criatividade fica por conta da ordem em que elas usam as palavras Céu, Mar, Amor, Coração Alegria, Avenida ... esqueci as outras quatro ... mas são muito parecidas com as que os repórteres da TV Globo usam para todas as entrevistas que eles fazem com gente tão brilhante como eles:

 

Qual a emoção de ...?

O que você espera do desfile ... ?

Você está animado(a) ... ?

 

To pagando milzinho por um samba que me faça cantar e cenzinho pra quem responder as incríveis perguntas Globais com :

 

- Não sinto nada.

- Espero que seja muito ruim.

- Não, estou deprimido.

 

Onde andará Paulinho da Viola ... ?



Escrito por Rui Minharro às 22h22
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Como é difícil escrever uma porcaria dum livro !

 

Por alguns instantes eu até achei que podia ser divertido e, de certo modo, fácil. Mandei 20 páginas de uma só cacetada, depois cheguei nas trinta e achei que estava bonzinho ... pura preguiça ou um certo medo, sei lá, achei que dava.

 

O editor quase riu mas passou a mão na minha cabecinha, explicou que nem chamam de livro um troço com trinta páginas.

- No mínimo 70 em caixa 10, ok ?

- Ta.

Larguei mão do livro, toquei outras coisas que também dão bastante trabalho mas me são menos difíceis.

E correu o ano e eu nem dei conta de tudo o que eu tinha pra cuidar nem terminei a porcaria do livro ... e o editor cobrando ...

 

Quero fazer um agradecimento público e de todo o meu coração a classe-média.

Ah a classe-média !

Padecem o ano todo na São Paulo com seu zilhão de carros se afogando em fumaça, em filas, em faltas de toda sorte. Reclamam tostões, reclamam tempo e paz. 360 dias do ano.

Ah a classe-média !

Atiram-se todo ano em zilhões de carros serra abaixo. Fazem filas, passam privações, filas e torram os tostões por uma nesga de areia sem Sol.

Ah a classe-média !

Multidões sacrificando-se, muitas vezes sem água nem para o asseio, enfrentando dificuldades urbanas comparáveis ao rush de Singapura só para me darem uns dias de paz ...Obrigado.

Por aqui tudo livre, podia-se até passear de automóvel. Fiz compras, caminhei, ouvi o silêncio da São Paulo ... Lindo !

Cinco dias no paraíso renderam-me a revisão de 15 páginas, muitos cortes, alguns enxertos, umas edições e ... 38 páginas, parece que agora sai.

Justo agora que eles estão voltando !

Como é difícil escrever uma porcaria dum livro !



Escrito por Rui Minharro às 17h16
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 Faxina aqui no escritório.

 

Que eu fui comprar dois kilins pra render os meus rotos e cansados chinesinhos de tanto anos.

 

Espanador, flanela com álcool, aspirador, pano-de-chão, rodo, querosene e etc.

 

OK, ficou tudo reluzente em três horinhas, parecia um cômodo da realeza sueca nos tempos da Rainha Cristina Alexandra ... coisa fina mesmo, digno de um cenário para Greta Garbo ...

 

Deitei os novatos nas tábuas e encaixaram como namorados no assoalho ... Lindo.

 

Tudo limpo, cheiro bom e tudo no caos, imaculado caos da papelada empilhada, dezenas de fitas sem etiqueta, lembretes coloridos pelas paredes branquinhas, CDs  e livros dispostos sem o menor sentindo que não o do manuseio .

Tem a Banda Eva em cima do Strauss, Saludos Amigos antes do Grease e a Maysa logo depois do Goyeneche.

 

Uma sequência literária de enlouquecer qualquer Acadêmico :

 Cervantes / Buñuel / Ruy Castro / De Masi / Fagundes Varela / James Joyce

 

Assim seguidinhos ... nada a ver!

 Depois tem um livro sobre cervejas e um compêndio do Camões !


Mas ta tudo muito limpinho, não ficou um ácaro pra contar história do Jorge Amado que ta grudadinho num livro do R.L. Wolke.

 

Tapetes novos, literatura fora da Ordem, Jam Session, compromissos, papéis e ...

 

Tudo brilhando e bem bonito !



Escrito por Rui Minharro às 10h01
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Tudo como antes ... gosto disso.

 

As páginas continuam verdinhas, as letras nos mesmos lugares, tudo como eu deixei ... gosto muito disso.

 

Só eu, talvez, tenha mudado um tiquinho, afinal toda gente muda e nem sempre pelas veredas do Bem ou do Mal.

 

Tive a sorte de livrar-me dum maldito fantasma que havia anos arrastava correntes pelos meus pensamentos, tive o azar de trabalhar com gente leviana sem comprometimento e ... me enveredando por aqui e por ali, sem bem nem mal despedi-me da assombração, cortei vínculos com safados e terminei meu ano com bem menos dinheiro do que comecei mas, continuo confortavelmente instalado sob os arcos do Real Palacete donde posso ouvir o trem passar.

 

Que venha 2009, que venha o meu bem e que passe o trem.

 

Voltamos !



Escrito por Rui Minharro às 19h18
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